quinta-feira, 5 de maio de 2011

Afinal, Simão toco não «morreu»

Mais abaixo, uma entrevista que fiz ao Bispo Nunes, da Igreja Tocoísta. Viagem nas histórias misteriosas da Igreja de Simão Toco.



Encarnou no Bispo Afonso Nunes
Afinal, Simão Toco não “morreu”

Simão Toco está “vivo”. Apesar do seu corpo não ter “resistido” à vida, ele encarnou em espírito no Bispo Dom Afonso Nunes, o actual líder da Igreja Tocoísta, que em entrevista ao Novo Jornal, fala sobre os “mistérios” da sua religião, que pretende abrir uma estação de rádio e criar uma universidade.

Álvaro Victória
  
Passados 59 anos após a fundação da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo em Angola (Igreja Tocoísta) por Simão Toco. Que balanço faz?
O balanço é positivo, porquanto a igreja passou por um percurso muito difícil. Ao ultrapassarmos todas as dificuldades, ganhamos a maturidade. A igreja tem estado a crescer tanto em quantidade quanto em qualidade. Somos uma organização bastante representativa, tanto a nível nacional, quanto internacional.

Disse em representação, qual é a estimativa dos efectivos da vossa Igreja em Angola e o que significa estarem representados no estrangeiro?
Devido aos problemas de divisão por que a igreja passou, após a morte do seu fundador, Simão Gonçalves Toco, ( 31.12.84) tem sido difícil fazer um censo dos nossos membros, isto também porque uma parte ainda falat entegrar para que tenhamos uma unificação total. Acredito que estamos acima dos 500 mil fiéis. Por outro, a igreja já está representada, através de núcleos, na Europa (Portugal, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Suiça e Suécia), na Ásia (Japão), e na África (RDC, Namíbia, Africa do Sul, Zimbabwe, Madagáscar, São-Tomé).

Falou em unificação. Como foram integrados os “12 Velhos” e o Bispo Osório Marques, das duas dentre as três partes envolvidas na divisão?

Como algumas pessoas sabem, a igreja dividiu-se em três partes reconhecidas oficialmente pelo Estado angolano. Esta divisão provocou uma dezena de ramificações que dificultaram de que maneira o processo de reunificação. Mas com o poder do Espírito Santo, a partir de 1996, começou-se uma nova era para a igreja, embora uma boa parte tenha-se mantido de fora. Mas em 2000, o Bispo Afonso Nunes foi revestido pelo espírito de Simão Toco para ir a Luanda, levando a mensagem de reconciliação da igreja. Não foi fácil as pessoas aceitarem isso, mas o espírito é forte e acaba sempre por vencer. Em Agosto de 2000, a igreja sentou-se e uniu-se. Esta união ainda não está concluída, ela é um processo. Uma boa parte dos 12 velhos ainda não está integrada. Por razões que não adianta recordar o irmão Osório Marques ainda não está integrado. Mas temos a fé que o espírito vai ajudar-nos a reconciliar.

Mas, como o senhor se identificaria. Como Bispo Nunes ou Simão Toco?
Simão Toco fracassou somente no corpo, como demonstração de ter sido humano, tal como foi com Cristo. Mas o seu espírito continua vivo e esta em mim, guinhando, animando-me e encorajando-me.

Conta-nos como foi este fenómeno?
Tal como Paulo foi usado como vaso de Jesus Cristo para transmitir a mensagem, foi da mesma forma como aconteceu comigo, na altura ancião-conselheiro. Tudo começou em 1985, quando comecei a ser habitado pelo Espírito Santo. Eu falava muito e as pessoas davam-me como maluco. Fui levado para Luanda numa psiquiatria. Mas mais tarde, as pessoas perceberam que aquilo que eu falava não era coisa de um louco. Eram factos que aconteciam. Foi assim que a igreja, já na minha terra natal, no Damba (Uíge), submeteu-me a um exame espiritual, isto em 1985. A partir daí, o Espírito Santo passou a tomar conta de mim e comecei a trabalhar arduamente para a igreja, desempenhado vários papéis, com destaque para ancião-conselheiro. Em 2000, acontece então a transformação espiritua, que chamamos também por personificação, quando o profeta Simão Gonçalves Toco falou em mim, dizendo que “Afonso em ti estarei e em ti irei levantar a minha igreja... o tabernáculo de David está caído”. A chamada não foi aceite facilmente tanto por mim, quanto para a família. Depois de muita resistência, o espírito falou mais alto. Em Julho do mesmo ano, depois de uma sessão de oração matinal, a igreja local decidiu em mandar-me para Luanda, para assumir a responsabilidade de que fui chamado. E no dia 16, acompanhado com um pastor e dois fiscais, peguei a mala, sem despedir a família, parti para Luanda. Fomos recebidos pela Tribo do Norte (uma organização dentro da Igreja) que nos acolheu durante 14 dias, pois a igreja central estudava ainda o caso que acabara de nascer. No dia 31 de Julho, participamos de uma reunião dos anciãos e conselheiros da direcção central, onde se passou a mensagem da chamada e logo começámos a trabalhar. Em um mês, levamos a mensagem aí onde estavam os grupos desavindos, alguns aceitaram e outros não. Finalmente, no dia 31 de Agosto do ano de 2000, realizámos a cerimónia de reconciliação da igreja, no Golfe, diante de cerca de 380 mil pessoas, segundo o Jornal de Angola. Foi através deste processo que a igreja está a tomar novo rumo, embora ainda algo falta fazer para a unificação total.

Fala-se que foi envenenado mais de duas vezes. Como resistiu à vida?
Nesta altura de unificação da Igreja não ideal tocarmos no assunto.

Porque é que os tocoístas não usam jóias, vestes de cor preta e vermelha?
A bíblia é como uma mata grande, onde cada um deve descobrir o caminho certo a seguir. Isso significa que, dependendo do dom que cada um recebe, há várias interpretações que podem surgir, daí que não usamos jóias, porque o livro de I Pedro assim diz. A cor preta, como sabemos, é símbolo de luto, então achamos que não faz sentido usá-la. A cor vermelha, como o livro de Isaías diz, simboliza sangue, por este motivo não usamos.

“Teremos uma estação de rádio”

Pretendem abrir uma estação de rádio ainda este ano. Como está o processo junto do estado e qual o objectivo do meio?
O processo está em bom caminho e aguardamos, expectantes, pela autorização por parte do Governo. O nosso objecto é exercer o poder que a própria informação tem. Vamos fazer da rádio um veículo de expansão do evangelho. Vamos trabalhar para a pacificação dos espíritos. É a missão da igreja. Já compramos o material tecnológico, que brevemente chega ao país. Vamos apostar na formação dos nossos quadros de modo a tomarmos nós mesmos a gerência da estação.

Quanto à universidade?
Temos o complexo escolar de nível médio Simão Gonçalves Toco e queremos agora atacar o ensino superior, criando uma universidade, que possa ajudar o Estado na formação dos angolanos. Pretendemos realizar este propósito nos próximos três ou quatro anos. Deixa-me referir que temos ainda um outro projecto da casa de Artes e Ofícios, que estará pronto ainda neste semestre. Queremos, com isso, criar uma escola que forme pessoas nalgumas artes como a culinária, pastelaria, corte e costura.

A Igreja Tocoísta está a construir um templo de grande dimensão, no Golfe. Quando é que acaba?
Foi a minha primeira missão, sempre no sentimento de edificar a casa do Senhor. Começámos em 2001. Parámos em 2003 devido algumas dificuldades, mas retomámos em 2007. Se não houver grandes contrariedades, estará pronto um templo de grande qualidade dentro de dois anos.

Para esta construção e outros projectos têm contado com o apoio do Governo?
(risos) É importante chamar atenção a algumas pessoas. A Igreja Tocoísta, durante estes anos que estou à frente dela, nunca recebeu apoio algum do Estado. Se um dia recebermos, não hesitaremos em anunciá-lo. O Espírito Santo tem ajudado os nossos membros. É com eles que fazemos o que estamos a fazer.

Como está o vosso enquadramento no Concelho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA)?
O processo corre normalmente. Esta em fase de estudo. O Espírito Santo vai determinar tudo. Temos participado nalgumas actividades conjuntas. Isso é um bom sinal.

Fala-se que a igreja tem feito contacto para que o seu líder seja recebido pelo Presidente da República.
Embora essa informação não seja do nosso conhecimento, acho que é normal que uma igreja como a nossa pretenda manter um contacto com o mais alto líder do país. Se tivermos esta oportunidade, obviamente vamos dar o nosso ponto de vista de como o país anda e os nossos subsídios sobre o que se deve fazer.

“Maquela do Zombo é uma Cidade Santa”

Simão Toco foi ou não testemunha de Jeová?
Esta questão é pertinente. É somente porque engana muita gente. O que aconteceu é o seguinte: Simão Toco esteve ligado à Igreja Baptista (IEBA), onde foi baptizado em 1931, em Kibokolo, Uíge. Depois de concluir os estúdios primários, os missionárias levam-no para Luanda... Em 1945, na terra natal, cria o coro de Kibokolo, ainda na mesma igreja. O coro cresceu, tendo chegando aos três mil membros. E devido à necessidade de ensinar a palavra de Deus aos seus irmãos através de livros, e como sabemos que as testemunhas de Jeová são muito fortes em termos de literatura, comecei (fala agora como a encarnação de Simão Toco) a fazer contactos com ele de forma a obter os livros. É nesse sentido que se realiza o contacto entre as testemunhas de Jeová e eu (Simão Toco). Portanto Simão Toco nunca aderiu às testemunhas de Jeová.

Em 1996, houve rumores de um eventual reaparecimento de Simão Toco na Matala, província da Huíla.
Não se trata de rumores. Simão Toco falou ao Pastor Fernando Chiwale na Huíla, sobre a necessidade de a igreja unir-se. Isso originou numa reconciliação parcial, cujo auge foi a de 2000, já com o espírito de Simão toco no Bispo Afonso Nunes.

Como se encontra a família do fundador, após a sua morte(1984) e da sua da sua esposa, recentemente?
Infelizmente uma delas faleceu. A Hilda está bem. Encontra-se na Inglaterra a estudar. Temos mantido contacto com ela e com alguns familiares.

Como se encontra o seu túmulo, na Maquela do Zombo, Uíge?
Foi construído no local uma casa provisória, que cobre o túmulo. Pretendemos fazer do local uma Cidade Santa, porque foi lá onde nasceu o profeta escolhido por Deus para falar da sua palavra. Pretendemos construir lá grandes monumentos, de que nos possamos orgulhar e chamar a atenção ao mundo e, sobretudo, aos pesquisadores.

Que comentários faz sobre o Massacre dos Tocoístas no final dos anos 70, por alegada postura contra os ideais dos então governantes?
O país está em paz e há necessidade de não levantarmos mais fantasmas.

Sente-se satisfeito pela bibliografia que há sobre a vida de Simão Toco?
Há o possível. É difícil reunir em um só livro toda a vida de Simão Toco. Esperamos que surjam mais livros para enriquecer os que existem?

Como poderá ser a próxima encarnação?
As coisas de Deus são providências. Deus tem um calendário que só ele sabe. Tal como me usou, também fará com as outras pessoas.

Quem é?
Nome completo: Afonso Nunes
Data de nascimento: 20.05.1965
Naturalidade: Damba, Uíge
Formação: Enfermagem
Ocupação: Líder Espiritual da Igreja Tocoísta (encarnação de Simão Toco)
Filhos: cinco

2 comentários:

  1. sua santidade profeta simao toco estamos a espera da segunda viagem para acabar com o sofrimento dos africanos

    ResponderEliminar
  2. povo africano esta na hora de dispertar para conhecer o seu verdadeiro Deus chamado Nzambi a pungu tulendo o Deus que os teus entepassados adoraram antes da vinda dos missionarios ca em africa e tambem temos um salvador chamado Simao Kimbangu ele sim é que sofreu para os africanos não o jesus cristo conforme tem dito.

    ResponderEliminar